O que ninguém te conta sobre criar SaaS com sócios
Aprenda os erros e acertos reais ao construir SaaS — do ‘keep it simple’ ao desafio da sociedade e validação no mercado.
Por que isso é importante
Construir um SaaS com sócios parece simples — até que a realidade bate. Erros comuns sobrecarregam equipes, explodem cronogramas e aumentam custos. Uma arquitetura desnecessariamente complexa, sociedade mal definida e MVP mal executado podem matar seu negócio antes mesmo de nascer. Entender os principais aprendizados, atalhos e armadilhas vai te salvar de dores e pode te colocar na rota certa, desde o início.
Comece simples — keep it simple é o único caminho seguro para validar SaaS
Antes de qualquer linha de código, entenda: construir SaaS é sobre resolver problemas reais rapidamente. O erro fatal está em querer aplicar a arquitetura mais moderna, domain driven design, separar tudo desde o início. Isso vai te atrasar, dificultar correções e impedir validação no mundo real. O software só existe para resolver dor que alguém paga para acabar. Se você não for rápido, alguém passa na sua frente.
⚠️Atenção
Não comece pensando em escalabilidade máxima antes de ter clientes. A chance é que você nunca precise dela. As únicas perguntas certas são: “Como lanço rápido?" e "O que é o mínimo para validar se existe mercado?"
Arquitetura: desacoplamento só até onde fizer sentido. O excesso mata.
Estruture apenas o básico: controllers e services. Repository só se realmente sentir necessidade. Sair separando backend e frontend, integrando sistemas, tentando prever que vai ter mil usuários no primeiro mês é receita para nunca lançar. Resolva as dores agora. Se crescer, você refatora — com dinheiro no caixa.
❌Atenção
Não caia na armadilha do “você vai precisar disso depois” (YAGNI). Se seu SaaS nunca pega tração, toda preparação avançada vira tempo e dinheiro jogado fora.
Velocidade é maior que perfeição
Usar Next.js para tudo, sem backend separado, acelera o lançamento. Não tente criar microserviços logo cedo. O que importa no começo é velocidade e ajuste no caminho, não a arquitetura final.
MVP: só existe um jeito de não se perder — defina e obedeça
O MVP real é o menor conjunto de funções para que o usuário extraia valor do seu SaaS. Nada de feature nova a cada ideia, pedido ou concorrente. Lançar rápido vale mais do que tentar entregar tudo para todos. Refine só depois do uso real.
ℹ️Atenção
Sua ansiedade para evoluir o produto com coisas “legais”, mas não essenciais, é sua pior inimiga. Aumentar o MVP antes de testar o mercado cria dívidas técnicas e mina seu ânimo.
Ideias validadas são seu melhor atalho
Não sabe por onde começar? Pegue algo que já tem demanda e está faturando, melhore a interface e usabilidade. Pode copiar a solução, mas torne a experiência muito melhor. A chance de conseguir tração aumenta, porque o problema já existe e já pagam por ele.
Nunca aposte tudo em uma ideia inédita sem validar
Se não existe concorrente ou similar, o risco é maior. O jeito certo: lançar rápido, testar se há mercado e validar para não virar um fantasma digital. Nunca confie só no “sentimento” de que vai revolucionar o mundo.
Sociedade: definir o papel de cada um não é opcional
Comece qualquer acordo com obrigações claras e limites bem desenhados. Relação pessoal não pode definir participação. O que importa é o que cada um entrega e quando. Atritos evitados aqui economizam meses de estresse adiante.
Como proteger a sociedade: vesting e cliff salvam startups
Vesting é o único modo justo de distribuir participação. Cada sócio só ganha fatia após entregar resultados, com percentuais liberados conforme fases atingidas. Cliff protege contra sócio-vitrine: se sair antes, não leva nada. Todos ganham confiança no projeto e ninguém some enriquecido sem merecer.
⚠️Atenção
Ficar sem vesting e cliff cedo ou tarde gera briga. Exija regras antes de escrever a primeira linha de código – ou seja refém da sorte.
Como definir vesting e cliff na prática
Para cada entrega chave, uma faixa de participação. O dev recebe ao lançar software; o marketing, ao trazer usuários. Sociedades devem ser progressivas, não instantâneas. Se alguém sair sem cumprir, mantém só o básico ou nada, conforme prazo do cliff.
Execute primeiro. Discuta depois.
Evite reuniões eternas sobre “o futuro", formato de contrato ou próximos features antes de lançar. O SaaS só existe quando alguém paga e usa. O resto é distração. O aprendizado real só nasce depois de descobrir as dores de verdade do cliente.
Replica, melhora, vence: o segredo dos SaaS que crescem
Olhe o que funciona, melhore a parte visual, UX e branding. Se já existe, é porque tem mercado. Não precisa esperar a “inovação total”, mas precisa entregar melhor experiência.
Nunca dependa só de um perfil nas tarefas do time
Sociedades equilibradas andam, times sem definição morrem. Divida tudo por áreas: quem cuida do código, quem toca marketing, quem vende. Quando tudo é de todos, nada sai do papel.
ℹ️Atenção
Sócios sem entrega vira sócio de fachada. Depositar confiança sem critério desmonta o negócio antes de nascer.
Lembre-se: lançar é melhor do que sonhar alto
Ideias grandiosas que nunca veem a luz são só ruído. Tire os planos do PowerPoint. SaaS nasce com uso real, cresce com ciclos curtos, sobrevive ao corrigir erros rapidamente. Resultado vem para quem executa — não para quem sonha.
✅Atenção
Cada erro é aprendizado desde que você lance, teste e repita.
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