5 erros que todo dev comete no início
Esses erros não são exclusivos de quem nunca ouviu falar de programação — são cometidos por devs que estudam de verdade. A diferença é que alguns os identificam
Por que isso é importante
5 erros que todo dev comete no início. Esses erros não são exclusivos de quem nunca ouviu falar de programação — são cometidos por devs que estudam de verdade. A diferença é que alguns os identificam cedo e corrigem antes que custem meses ou anos de carreira.
Galera, depois de anos acompanhando devs em início de carreira — como mentor, como colega e como alguém que passou por tudo isso — ficou claro pra mim que os erros mais comuns não são sobre falta de inteligência. São erros de estratégia. E o pior: a maioria das pessoas que os comete nem percebe que está errando.
Esses cinco erros aqui são os que mais atrasam carreira. Não porque sejam irrecuperáveis — todos têm solução —, mas porque cada um custa meses que poderiam ser usados avançando de forma consistente. Se você se reconhecer em algum deles, considere isso uma oportunidade de mudar a rota agora.
Erro 1 — Estudar muitas tecnologias ao mesmo tempo
JavaScript na segunda, Python na quarta, vídeo de Go no fim de semana, e um curso de Swift que alguém recomendou no YouTube. Isso não é aprender — é acumular horas sem profundidade. A sensação de estar estudando muito existe. O aprendizado real, não.
O mercado não contrata dev que sabe um pouco de tudo. Contrata dev que sabe uma coisa com profundidade — que consegue resolver problemas reais com aquela tecnologia, que entende os erros e sabe depurar, que vai fundo quando precisar. Isso só vem com tempo e foco numa coisa de cada vez.
Dá pra aprender mais de uma tecnologia ao longo da carreira — e você vai aprender dezenas. Mas no início, a escolha certa é uma stack e fundo. JavaScript pro web. Python pra dados. Kotlin pra mobile Android. Escolha e vá fundo.
A armadilha do tutorial collector
Tutorial de React no Udemy: 40 horas. Projeto próprio feito: 0.
Tutorial de Node.js no YouTube: 8 horas. API própria no ar: 0.
Curso de Python no Coursera: certificado. Problema resolvido com Python: 0.
Só construindo coisas reais, com erros e depuração, o aprendizado fica de fato.
Erro 2 — Não fazer projetos práticos
Esse é o erro número um em volume. A maioria das pessoas estuda por meses e não tem um projeto próprio publicado. Estuda, faz exercícios dos cursos, copia código do tutorial, mas não constrói nada do zero que resolve um problema real.
Projeto prático não é opcional se você quer emprego. É o que comprova que você sabe fazer. Recrutador abre seu GitHub, não vê nada publicado — ou vê só fork de repositório de curso —, e parte pro próximo candidato. Não porque você seja ruim. Porque você não tem evidência do contrário.
Comece pequeno. Não precisa ser sistema complexo. Uma aplicação de lista de tarefas com backend real, banco de dados e autenticação, deployada e funcionando, já é um começo honesto. Um formulário de contato com envio de e-mail. Um feed de notícias que busca de uma API pública. Dá pra fazer em um fim de semana. Faça.
Checklist mínimo pra um projeto de portfólio
- Resolve um problema real, mesmo que pequeno
- Está deployado e acessível online (não apenas no localhost)
- Tem banco de dados real (PostgreSQL, MongoDB, SQLite)
- Tem autenticação ou alguma feature não-trivial
- Tem README em português ou inglês explicando o projeto
- Código está no GitHub com histórico de commits reais
Erro 3 — Ignorar soft skills e comunicação
Dev que só sabe programar é raro hoje em dia. Dev que sabe programar e comunicar bem é muito mais valioso — e mais fácil de contratar. Comunicação não é papo mole de RH. É a diferença entre passar ou não passar numa entrevista onde você sabe todo o conteúdo técnico.
Quantas vezes você foi numa entrevista, sabia a resposta mas não conseguiu articular bem? Sabia o que o código fazia mas não soube explicar por que escolheu aquela abordagem? Isso é comunicação técnica — e dá pra treinar. Dá pra melhorar. E melhorar nessa área tem retorno maior por hora investida do que mais um tutorial.
Soft skills que importam de verdade pra dev: conseguir fazer perguntas claras quando está travado, saber dizer 'não sei, mas vou descobrir' sem panic, conseguir explicar progresso e impedimentos pro time, e dar e receber feedback técnico sem drama. Esses comportamentos separam quem cresce rápido de quem fica estagnado.
Erro 4 — Portfólio com TODO app e calculadora
Todo app, calculadora e lista de tarefas básica. Esses três projetos aparecem em milhares de portfólios. Não diferenciam ninguém. Não mostram que você consegue resolver problemas do mundo real. Recrutador vê pela décima vez naquele dia e passa.
Não é que esses projetos sejam errados — são ótimos exercícios de aprendizado. O erro é achar que eles funcionam como portfólio. Projeto de portfólio é diferente de exercício de estudo. Portfólio precisa mostrar que você consegue construir algo com utilidade real.
Pense em problema que você tem ou que alguém ao seu redor tem. Um sistema de controle de finanças pessoais. Uma ferramenta pra organizar treinos na academia. Um site pra o negócio da família com painel de gestão. Projetos assim têm contexto, têm decisões de design, têm complexidade real. Esses projetos aparecem numa entrevista e geram conversa. Calculadora não gera.
Projetos que não diferenciam
Exercícios de estudo que todo mundo tem — não funcionam como portfólio.
− Contras
- • Todo app sem autenticação nem backend
- • Calculadora básica de operações matemáticas
- • Lista de tarefas só com LocalStorage
- • Clone de site famoso sem nenhuma feature adicional
Projetos que abrem portas
Aplicações com contexto real que geram conversa em entrevista.
+ Prós
- • Sistema de gestão com banco de dados e autenticação
- • API REST documentada com casos de uso reais
- • App mobile com integração de API externa e armazenamento
- • Ferramenta interna que resolve problema real da sua vida
Erro 5 — Não contribuir com open source ou comunidade
Contribuição em open source é uma das formas mais rápidas de acelerar o aprendizado e ao mesmo tempo construir reputação real no mercado. Você aprende a trabalhar com codebase de outra pessoa, seguir convenções de projeto, ler e entender PR review, e entregar algo que vai ser usado por outras pessoas.
O mito é que contribuir em open source é difícil ou reservado pra devs experientes. Não é. Qualquer repositório com issues abertas marcadas como 'good first issue' é porta de entrada. Typo em documentação, teste faltando, bug simples reportado na issue. Começa por aí. Com o tempo, as contribuições ficam mais complexas naturalmente.
Comunidade também conta. Participar de grupos no Discord, responder perguntas em fórum, escrever sobre o que você aprendeu — tudo isso cria presença. Tem gente que conseguiu emprego porque o recrutador viu uma resposta útil num fórum técnico ou num post no Dev.to. Isso acontece mais do que parece.
Como começar a contribuir em open source hoje
- Escolha uma tecnologia que você usaFramework, biblioteca ou ferramenta que já faz parte do seu dia a dia. Você já conhece o contexto.
- Explore as issues abertasVá no repositório do GitHub e filtre por 'good first issue' ou 'help wanted'. Esses são os pontos de entrada.
- Leia o CONTRIBUTING.mdTodo projeto bem mantido tem guia de contribuição. Siga as instruções antes de abrir PR — poupa tempo de todo mundo.
- Comece pequenoDocumentação, teste, bug simples. Não tente resolver o maior issue do repositório logo de cara.
- Engaje nos comentáriosMesmo sem abrir PR, participar da discussão de issues já mostra presença e interesse na comunidade.
O que fazer em vez disso
Resumindo em ação prática: escolha uma tecnologia e vá fundo. Construa um projeto real do zero por semana — não tutorial, projeto seu. Trabalhe a comunicação técnica: escreva, explique, grave vídeo de si mesmo apresentando código. Monte portfólio com projetos que resolvem problemas reais. E reserve algumas horas por mês pra contribuir em open source ou participar de comunidade.
Esses cinco ajustes na abordagem não são sobre trabalhar mais horas. São sobre trabalhar nas coisas certas. Dev que faz isso consistentemente por 4-6 meses chega a um patamar que outros levam 2 anos pra atingir estudando de forma dispersa.
A checagem rápida
Você consegue abrir o GitHub agora e mostrar 2 projetos próprios funcionando? Você consegue explicar, em inglês ou português, as decisões técnicas de um desses projetos por 5 minutos? Você tem GitHub com commits nos últimos 30 dias? Se a resposta pra qualquer dessas for não, você já sabe por onde começar. Não precisa de mais curso — precisa de mais construção.