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Tecnologia

Como criar um SaaS avaliado em milhões

Acompanhe a jornada real de criação de um aplicativo de pagamento totalmente offline que alcançou valuation de até R$ 4 milhões.

Por que isso é importante

Como criar um SaaS avaliado em milhões. Acompanhe a jornada real de criação de um aplicativo de pagamento totalmente offline que alcançou valuation de até R$ 4 milhões.

O início de tudo: visão e oportunidade

Em 2013, o mercado de pagamentos eletrônicos sofria restrições impostas por adquirentes
e pela certificação PCI DSS. Não tinha ainda uma alternativa simples pra aceitar cartões
via app, sem depender de hardware dedicado.

Com uma década de experiência em software TEF, surgiu a ideia: e se fosse possível fazer
uma transação via cartão de crédito sem internet e sem equipamento extra?

O grande desafio: funcionar offline

A oportunidade era clara, o obstáculo também: trafegar dados de cartão sem violar
restrições de segurança. As adquirentes só aceitariam uma solução que não envolvesse
internet. Isso deu origem a uma arquitetura única, baseada em SMS.

Atenção

Trafegar dados sensíveis exige conformidade total com a PCI DSS — qualquer violação
pode quebrar seu negócio no setor de pagamentos.

Topo da arquitetura: o fluxo técnico

  1. 1. App Java via Eclipse: recebia dados básicos do cartão e
    comunicava via SMS.
  2. 2. Servidor com modem GSM: recebia o SMS, descriptografava e
    montava a transação.
  3. 3. Integração com TEF: usava servidor TEF interno da empresa
    onde o autor trabalhava.
  4. 4. Roteador X25: enviava os dados para adquirentes (Cielo,
    Rede, Amex).
  5. 5. Retorno criptografado: servidor devolvia status via novo
    SMS, e app apresentava o comprovante.

Cliente leve, servidor inteligente

Pra atender os requisitos do PCI, o app nunca guardava os três dados principais juntos:
número completo, validade e CVV2. Distribuir esses dados entre client e server foi a
solução usada pra contornar a regra e ainda manter conformidade.

Curiosidade

Todo o tráfego era compactado em 160 caracteres — o limite do protocolo SMS. Isso
exigiu criptografia personalizada e compressão eficiente.

Ferramentas utilizadas no início

Java SE

Linguagem utilizada no client e no servidor

Eclipse IDE

Ambiente de desenvolvimento leve e comum na época

Modem GSM USB

Hardware para envio e recepção de SMS

Protocol AT-Command

Padrão para se comunicar com SIM cards via terminal

Server TEF Interno

Infraestrutura própria da software house

Validação de mercado

Depois de meses construindo, o app foi publicado numa sexta. A recepção foi imediata:
downloads seguidos, uso crescente e feedbacks positivos. O funcionamento offline chamou
atenção num mercado que buscava mobilidade e autonomia.

Alerta

Logo nas primeiras semanas, rolaram tentativas de hack e requisições fraudulentas. Foi
necessário reforçar a segurança no parseador de SMS e aplicar mais regras antifraude no
backend.

Escalando a operação

Conforme o uso crescia, precisou adicionar redundância. Servidores com múltiplos modems,
balanceador de carga, filas de processamento e logs detalhados passaram a compor a stack.

Crescimento e valuation

Com 1 ano de operação, o produto chamou atenção de investidores. Baseado na base de
usuários, volume transacionado e diferencial técnico, alcançou valuation estimado entre
R$ 3.5 e R$ 4 milhões.

Atenção

O crescimento não veio da noite pro dia. Precisou de mais de 12 meses entre a primeira
linha de código e a primeira venda relevante.

Checklist de Implementação

  • Identificou um gap real no mercado
  • Propôs uma arquitetura alternativa diante de restrições técnicas
  • Validou segurança com PCI DSS
  • Desenvolveu solução baseada em SMS criptografado
  • Publicou no mercado e validou tração inicial
  • Escalou infraestrutura e segurança
  • Apresentou crescimento e valuation milionário